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A inteligência artificial da reforma agrária e agroecologia

Fruto da luta organizada, essa plataforma serve à massificação da agroecologia e à soberania alimentar.

Diferente de modelos generalistas de Inteligência Artificial, nossa base é especializada e validada por movimentos populares. 

IARAA democratiza o saber agroecológico e fortalece a Reforma Agrária Popular.

Tecnologia soberana voltada à produção de alimentos saudáveis e à emancipação dos povos.

Manifesto

IARAA na luta com o pé no chão
Enfrenta as bigtech e o império ladrão
IARAA é saber, é soberania
Para massificar a agroecologia

A IARAA – Inteligência Artificial da Reforma Agrária e a Agroecologia – é um instrumento de soberania tecnológica para fortalecer as organizações populares na construção da soberania alimentar. Se soma às diferentes formas de luta que buscam superar o modelo do agronegócio, encarando os desafios que as contradições do capital colocam para a luta de classes nesse tempo histórico.
Vivemos a emergência de uma nova etapa do desenvolvimento humano, em que a esfera digital assume centralidade. Os dados se concretizaram como quinto fator de produção, somados à terra, ao trabalho, ao capital e à tecnologia. Dados são registros digitais gerados a partir de atividades humanas, por meio de sistemas, sensores e transações. Eles são a base do desenvolvimento das novas qualidades das forças produtivas que organizam o Trabalho humano nessa fase da história.

A propriedade desses dados, das infraestruturas que os armazenam e processam, e de tudo o que é desenvolvido a partir deles será decisiva, assim como o cercamento dos campos e a propriedade das máquinas a vapor na revolução industrial. Por este motivo, há hoje uma estratégia muito evidente por parte do Império estadunidense — e de sua elite — de domínio dos elementos centrais dessa mudança de era. O que já conhecemos do avanço do capital sobre nossos territórios, nosso trabalho e nossa vida assume uma nova dimensão. As grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos (chamadas de bigtechs) roubam os dados de todas as nossas interações, utilizando-se do domínio das infraestruturas (como cabos, antenas e servidores) e das plataformas (sistemas operacionais, softwares e redes sociais) que utilizamos todos os dias.

Essa dinâmica já avança também na agricultura. As bigtechs estão de mãos dadas com o agronegócio. Avançam em tecnologias, como sensores de monitoramento de muitos parâmetros a campo, seja do clima, do solo, da biodiversidade ou do manejo técnico de cultivos e criações. Apresentam aplicativos e plataformas digitais tanto para a burguesia agrária como para os camponeses e camponesas. Com isso, extraem dados dos territórios (produção, organização social, ecologia, cultura), armazenam e processam em seus data centers e realizam a reorganização da agricultura a partir dos interesses capitalistas, de dimensões similares às da Revolução Verde.

A IARAA se posiciona no sentido oposto. Conscientes de que as tecnologias são realizações humanas e não nascem prontas, de forma mágica, mas sim produto dos interesses e disputas de modelos, assumimos o desenvolvimento da Inteligência Artificial como um desafio do nosso tempo. Se há possibilidade de que a inteligência artificial seja parte da construção do socialismo e seja desenvolvida para atender às necessidades do povo, é preciso que o povo seja sujeito dessa construção.

A IARAA surge a partir da rede de articulações entre movimentos populares e instituições de pesquisa do Sul Global criada pela Baobab (Associação Internacional para Cooperação Popular). Organizados pela Baobab, pelo MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – e pela Marcha Mundial das Mulheres, militantes e especialistas do Brasil, da Argentina, da China, da Itália e de Portugal deram início a um processo de convergência tecnológica entre conhecimento sistematizado, metodologia popular e sistemas de inteligência artificial. O resultado é a criação de uma IA multiplataforma voltada para o conhecimento agroecológico e a questão agrária, com todo o seu processo de desenvolvimento controlado pelas organizações populares.

A construção da IARAA é uma convocação para entender o que é essa tecnologia, quais são suas lógicas possíveis e suas bases materiais. Isso contribui para o nosso desafio histórico de construir um projeto estratégico popular para o nosso país e de integração dos povos em nossa região, utilizando o que há de mais avançado no desenvolvimento das forças produtivas deste período atual.

Decidimos desenvolver uma inteligência artificial para a reforma agrária popular, avançando, com a estratégia de massificar a agroecologia. Ao fazer isso, também começamos a dar passos rumo à democratização da inteligência artificial. Forjada na práxis agroecológica, feminista e popular, IARAA torna-se mais uma ferramenta na nossa luta nas ruas, nas redes e nos roçados, ao lado das marchas, ocupações e da educação popular, dos facões e tratoritos, dos nossos quintais às nossas agroindustrias.

Temos clareza de que essa iniciativa é sinalizadora dos elementos que devem guiar uma estratégia popular de soberania digital que deve ser implementada pelo Estado brasileiro. Assim avançaremos também para uma efetiva superação da dependência tecnológica imposta pelo Império.

Os Princípios da IARAA

  • Ser um processo político e não somente um agente de inteligência artificial;
  • Estar posicionada na estratégia política para a classe trabalhadora;
  • Servir como instrumento para fortalecer a reforma agrária popular e potencializar a massificação da agroecologia;
  • Reconhecer o caráter coletivo da produção de conhecimento agroecológico e buscar ativamente parcerias e contribuições para a base de conhecimento, fortalecendo a articulação política.
  • Fortalecer o esforço de construção de metodologias de educação popular em inteligência artificial;
  • Ser forjada na práxis agroecológica, feminista e popular;
  • Somar no acúmulo coletivo de construção do saber agroecológico, sem estabelecer relação hierárquica com ele;
  • Ser uma ferramenta de apoio – e não substituição – à assistência técnica;
  • Estimular a reflexão e não responder o que não sabe;
  • Garantir a proteção de dados das trabalhadoras e trabalhadores e de seus territórios.
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COMO FUNCIONA A IARAA

A IARAA está em fase de testes e em desenvolvimento contínuo. Neste momento, nossa base de conhecimento está sendo construída em quatro áreas fundamentais da agroecologia: 

  • fundamentos políticos
  • manejo de solo
  • manejo ecológico de pragas e doenças
  • restauração ecológica. 

Seguimos ampliando nossa capacidade de fornecer informações específicas sobre diferentes biomas e contextos regionais. 

Três modos de interação

Cada cultivo tem seu jeito, cada conversa também. A IARAA possui três modos de buscar sua resposta:

Como usar a IARAA então?

Após escolher o seu modo de busca, é hora de inserir sua pergunta. Por exemplo:

“Na minha roça de milho agroecológico aqui no Rio Grande do Sul estou com alta presença de buva. Quais estratégias agroecológicas são mais adequadas para controlar essa planta daninha? Como posso avaliar, na roça, se a infestação está impactando o rendimento da cultura?”

Quando você faz uma pergunta a IARAA um dos modelos de linguagem é mobilizado para acessar a nossa base de conhecimento, construir relações e extrair uma resposta, seguindo os seguintes passos: 

  • 1º O modelo de linguagem ajuda a IARAA a ler sua mensagem e a transformar em informações que consiga processar.
  • 2º Busca nas bases de conhecimento da IARAA (nossa biblioteca) informações que se relacionam com a sua pergunta. É dali que ela tira o conteúdo técnico e político correto, buscando garantir que a resposta tenha a nossa visão e não invente fatos.
  • 3º Usando o modelo de linguagem a IARAA gera uma resposta, com as informações da base e as transforma em uma frase natural e bem escrita, como se fosse uma pessoa falando.
  • 4º A Resposta O sistema junta tudo: o conteúdo confiável da base com a escrita fluida da IA. A resposta aparece na tela do celular ou do computador.

A base de conhecimento funciona em cima de uma arquitetura chamada RAG. Atualmente a IARAA utiliza duas distintas, que interagem com três grandes modelos de linguagem da inteligência artificial para te responder.

Para as buscas “Semeadura” e “Mutirão”:

Arquitetura Ragflow 

O RAGFlow é um mecanismo de código aberto baseado na compreensão profunda de documentos. Quando integrado com modelos de linguagem da inteligência artificial, é capaz de fornecer respostas a suas perguntas, apoiadas pelas fontes de bases de conhecimento específicas.

Modelo de Grande Linguagem Claude

Claude é um modelo de linguagem desenvolvido pela empresa estadunidense Anthropic, capaz de processar e gerar texto de forma avançada para auxiliar em diversas tarefas de análise, escrita e conversação.

Para a busca “Quintal Produtivo”:

Arquitetura Meta-RAG 

Desenvolvida exclusivamente para a IARAA, é uma plataforma experimental de automação de pesquisa onde os fluxos de trabalho são compostos por múltiplos agentes reutilizáveis, que usam instruções em linguagem natural e iteram na base de conhecimento (RAG).

Modelos de Grande Linguagem

  • MiniMax M2.1: Este é o modelo padrão desta busca, desenvolvido pela empresa chinesa MiniMax. O MiniMax M2.1 é um modelo de código aberto e um dos mais avançados na China hoje, com custo mais acessível. Tem foco em modelos multimodais, que abrangem compreensão de texto, visão computacional, fala e mídia generativa – sim, estamos trabalhando para que você possa subir fotos ou enviar áudios quando quiser perguntar algo!
  • GLM-4.7: é um modelo de código aberto criado pela Zhipu AI, também uma empresa chinesa. Este modelo tem como foco principal capacidades avançadas de programação e raciocínio multi-etapas estável.

O que é Inteligência Artificial

Quando ouvimos falar de Inteligência Artificial (IA), muitas vezes imaginamos máquinas pensantes, robôs conscientes ou tecnologias mágicas. Essa é a propaganda que as grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos querem nos vender como futuro. 

A IA não pensa, não sente e não tem consciência. Ela não toma decisões éticas nem é criativa. O que usamos hoje, como o ChatGPT, DeepSeek ou Gemini, é chamado de Grande Modelo de Linguagem (LLM). Basicamente, são programas de computador que funcionam com duas coisas principais:

  1. Computadores superpotentes: Servidores gigantescos que armazenam trilhões de dados e consomem tanta energia que precisam de resfriamento especial para não derreterem.
  2. Grande volume de dados: textos, imagens e vídeos extraídos da internet ou de sistemas de informação para treinar a máquina a reconhecer padrões.

 

Como funciona?

Antes de tudo, os dados precisam ser organizados e “limpos”. Não basta jogar informação de qualquer jeito. Nesse processo, muito se perde. Um livro, por exemplo, não está presente na IA como a conhecemos. Está cortado em pedaços (chunks) que facilitam a leitura pela máquina, mas perde o amplo enlace conceitual que alguém pensou ao escrever o texto original. Também é recorrente que apenas a introdução ou os resumos estejam presentes, mas não a obra inteira.

Quando você faz uma pergunta, a IA não cria nada de novo. Ela usa estatística para calcular qual é a próxima palavra mais provável de aparecer, com base em tudo o que ela já “leu” — o que, em si, é um treinamento e um potencial aperfeiçoamento contínuo. É como um papagaio muito avançado que reorganiza e combina informações existentes.

O trabalho humano e o viés

Por trás da IA, há muito trabalho humano. Há programadores bem pagos, mas também milhares de trabalhadores mal remunerados que passam o dia classificando imagens e textos para treinar esses grandes modelos de linguagem.

Além disso, a IA não é neutra. Ela carrega os preconceitos (o viés) de quem a criou e dos dados que consumiu. Esse viés vem de três lugares:

  • Dos dados: Para treinar uma LLM, são necessários bilhões de parâmetros. Essas informações já trazem visões de mundo específicas, com forte hegemonia ocidental capitalista, com corte racista e patriarcal.
  • Dos criadores: As empresas de tecnologia (Big Techs) inserem seus próprios filtros e visões políticas, muitas vezes refletindo ideologias dominantes ou excludentes.
  • Dos usuários: O conteúdo que geramos na internet, muitas vezes discriminatório, retroalimenta a base de dados da IA.

 

Um exemplo prático: Frequentemente, quando se pede para uma IA criar uma imagem de uma favela ou de pessoas negras, ela adiciona armas à cena sem que ninguém tenha pedido. Isso acontece porque a tecnologia aprendeu e reproduziu estereótipos racistas que associam esses grupos e lugares à violência.

O problema das “alucinações”

Além do viés, as LLMs também cometem erros. Programadas para sempre darem uma resposta, quando não sabem, podem inventar, isto é, dar a combinação estatisticamente mais próxima do que poderia ser a resposta e apresentá-la como verdade. Isso é chamado de “alucinação” e representa um desafio no desenvolvimento de bons modelos e um risco sério quando buscamos informação confiável nas IAs. 

Aplicações das LLMs

Além dos”chatbots” que usamos no dia a dia, as LLMs também podem funcionar como agentes, integrando-se a outras tecnologias para executar tarefas concretas. Um agente de IA pode ser programado para acessar bases de dados específicas e dialogar com outros programas e equipamentos. Essa combinação permite que a IA se torne uma ferramenta que cumpre muito bem tarefas específicas e tem potencial para ampliar as capacidades produtivas humanas, mas jamais a substituir. 

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